<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797</id><updated>2012-02-16T16:07:26.423-02:00</updated><title type='text'>Good Night Captain</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-2732762551579455340</id><published>2009-11-04T15:33:00.003-02:00</published><updated>2009-11-04T15:44:37.854-02:00</updated><title type='text'>A coadjuvante</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SvG82FWc8bI/AAAAAAAAAGc/XZNoHwaba58/s1600-h/01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400305065529242034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SvG82FWc8bI/AAAAAAAAAGc/XZNoHwaba58/s320/01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Interpretando Ulisses, por Sergio Biscaldi&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;A coadjuvante&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Anna visitava sua irmã, Alice, sempre muito tarde da noite. Dizia que era o único momento em que podia conversar com calma, já que seu trabalho era exaustivo e exigia dedicação exclusiva. Chegava com uma echarpe envolvendo o pescoço, o mesmo sapato preto com fivelas desgastadas, um vestido básico que alternava entre preto e vermelho e os cabelos levemente presos. Nunca se notara hálitos ou cheiros estranhos, além dos odores normais de quem ainda não tinha passado por uma ducha merecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna não falava do que fazia, nem de como tinha sido seu dia. Restringia-se em comentar de suas begônias que nunca duravam mais que duas semanas, dos pelos do gato que a fazia perder os domingos varrendo a casa e dos familiares que nunca podiam visitar na Itália. Às vezes, com muita cautela, falavam de assuntos íntimos como o fato de nunca terem casado ou dos motivos que as faziam não querer homens por perto, com exceções das noites de calor e volúpia nos bailes da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste dia, Alice não se sentia bem. Estava com uma crise de asma e reclamava que os remédios de hoje não causam o mesmo efeito imediato dos de antigamente. Não parava de tossir. No meio dos acessos de tosse, falava freneticamente. Começou contando como provocava seu vizinho de parede, colocando discos da Nina Simone misturados aos sons de filmes pornográficos. Soltava os gemidos no momento certo para que produzisse uma simulação perfeita. Chegou a derrubar coisas, bater na parede com o corpo, rir alto e estourar champanhes que jogou na pia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna ouvia tudo boquiaberta, mas não interrompia a irmã. Tantos anos falando de begônias, gatos e família e, assim, do nada, resolveu enlouquecer naquela noite. Chegou a pedir para ir ao banheiro e checar o que ela andava tomando. Nada. As bulas deixavam claro que a medicação estava correta e não causava nenhuma alucinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais a chocava era que, por mais picantes que as histórias fossem ficando ao longo da noite, menos reais elas pareciam. Nenhuma delas tinha sido vivida realmente e, embora a irmã dissesse sentir os resultados nos olhares alheios, Anna tinha certeza de que isso podia ser ilusão de sua parte. De um modo ou de outro, as encenações de Alice começaram a causar-lhe inveja. Uma pitada de vontade de repetir esses atos compulsivamente, sair pela rua nua, encarnar o capeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor, que aumentava a cada palavra, como as danças do baile, começava incomodar. Era como se as gotas de suor revelassem a todos suas vontades. Assim como antigamente, ela saiu sem deixar rastros. Alice, que fazia seu primeiro desabafo com a irmã depois de tantos anos de visitas noturnas, não interrompeu a fala. Talvez porque, de certo modo, sua fala não fosse para Anna. Quando terminou, seminua no sofá, foi tomar seu leite com mel e dormiu como um anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anna seguiu a pé para seu apartamento. No meio do caminho começou a pensar no que nunca tinha contado a Alice. Nunca tinha mencionado o que fazia em seu trabalho. Nunca tinha sequer dividido seu cotidiano, quanto menos suas intimidades, mesmo que se restringissem ao campo dos pensamentos. Chorou de raiva. Chorou porque, aos olhos dela, nunca tinha demonstrado vida. Em seu orgulho, ficou pensando que pelo menos podia trabalhar, ver pessoas, não precisava ficar trancada em casa, vendo a vida passar pela janela, tendo crises de asma e provocando pessoas que nem sabiam de sua existência. Deu um suspiro aliviado por ter uma vida só sua e um trabalho que a transformava em alguém de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, Anna não foi visitar Alice. Nunca mais se viram. Do beiral da janela do apartamento de Alice, lia-se no muro o anúncio de uma peça de teatro. Nas letras miúdas que mencionavam o elenco, o nome de Anna aparecia no final, escrito apenas com um N.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-2732762551579455340?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/2732762551579455340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=2732762551579455340&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/2732762551579455340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/2732762551579455340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2009/11/coadjuvante.html' title='A coadjuvante'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SvG82FWc8bI/AAAAAAAAAGc/XZNoHwaba58/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-6695448226910146867</id><published>2009-03-31T23:54:00.003-03:00</published><updated>2009-04-01T00:11:28.744-03:00</updated><title type='text'>Surpreenda-me, se for capaz</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SdLX2vpfU7I/AAAAAAAAAGU/3QQ_3cvuohY/s1600-h/emaranhado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319551445381370802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SdLX2vpfU7I/AAAAAAAAAGU/3QQ_3cvuohY/s320/emaranhado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Detalhes, por eles mesmos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Surpreenda-me, se for capaz &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando Maria Helena conheceu Jorge, o que mais fazia era provocá-lo. Levantava os cabelos entre os dedos e deixava a nuca sutilmente nua, se não fosse por alguns fios rebeldes para mostrar sua personalidade única e sua capacidade de hipnotizá-lo com detalhes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Depois de inúmeros encontros, Jorge ainda esperava alguma surpresa de Maria Helena, dos pequenos detalhes em seus longos cabelos a alguma atitude marcante como seus vícios de linguagem temporários, que elegiam uma palavra como se não existissem mais sinônimos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Quando ele fechava os olhos, na solidão de seu quarto escuro, conseguia visualizá-la perfeitamente com seus adoráveis defeitos e grandes atributos. Casaria com ela só para observar, durante toda sua vida, as mudanças constantes que lhe permitiam a cada dia uma história, uma lembrança e, conseqüentemente, páginas e páginas de um livro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;E casaram-se. Maria Helena continuou representando seus personagens, mas Jorge foi ficando cada vez mais difícil de ser surpreendido. Como vivia nas realidades que acreditava serem melhores para a formação de seu romance, esqueceu de olhar para ela como ser humano, colocando-a apenas no plano eterno dos personagens que, embora tenham múltiplas personalidades, nunca mudam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Escrevia, escrevia compulsivamente rumo ao capítulo final. Maria Helena ainda falava, comia, trabalhava, mas ele não mais a via. Sua fixação era nas últimas linhas que compunham a vida de seu personagem principal. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Poucos dias antes de entregar o romance a editora, Jorge não sabia ainda se faria um final feliz ou uma tragédia. Decidiu-se pelo primeiro porque as vendas seriam consideravelmente maiores. Queria que ela surpreendesse do inicio ao fim, não acompanhando a maioria dos dramas literários. Entregou o livro e voltou para casa radiante pela espera da noite de autógrafos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao pisar na soleira da porta já sentia o cheiro gostoso do bolo de fubá com sementes de erva-doce feito por Maria Helena. A casa, ainda com as luzes apagadas, guardava as impressões da noite anterior, quando suas filhas brincavam na biblioteca. Tropeçou nas correspondências que se acumulavam aos montes em seus pés. O gato, magro, de olhos esbugalhados veio ao seu encontro implorando por comida. A sala estava uma bagunça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Entrou chamando o nome dela para que desse um jeito naquilo tudo. No quarto, a cama por fazer, cigarros e cinzeiros espalhados, sujos. Na cozinha, de onde vinha o cheiro do bolo, a luz também estava apagada. Jorge recuou, tentou se lembrar se a deixou dormindo ou se estaria viajando. Não lembra, só lembra das passagens do livro. O telefone toca. Sua memória é interrompida pelo presente. Atende.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;- Pai? É você?&lt;br /&gt;- Sim, sou eu. – responde no piloto automático.&lt;br /&gt;- Preciso do dinheiro da faculdade.&lt;br /&gt;- Nossa! Já é dia 10? Vou depositar.&lt;br /&gt;- Não, não é dia 10. É dia 25. Faz tempo que estou tentando falar com você. Onde esteve?&lt;br /&gt;- Desculpe, filha. Estava correndo atrás do livro. O lançamento será em um mês. Compre um vestido novo. Mas, porque não pegou o dinheiro da escola com sua mãe? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Fez-se silêncio por um momento e ela respondeu de sopetão:&lt;br /&gt;- Não pedi porque os mortos não fazem mais parte da sociedade capitalista. Pai, você está doente? Esse livro te faz mal. Não, melhor, essa sua mania de viver num mundo fictício te faz mal. Não vou ao lançamento. Esquece o dinheiro. Tchau.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Jorge desligou calmamente o telefone e sentou em sua escrivaninha. Pela primeira vez abriu seu email e mandou um recado ao editor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caro editor,&lt;br /&gt;Preciso de um favor. Decidi mudar o último capítulo do livro. É um caso de vida ou morte. Penso que as tragédias são peças fundamentais na literatura. Deixemos as surpresas e finais felizes para a nossa doce realidade.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-6695448226910146867?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/6695448226910146867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=6695448226910146867&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6695448226910146867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6695448226910146867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2009/03/surpreenda-me-se-for-capaz.html' title='Surpreenda-me, se for capaz'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SdLX2vpfU7I/AAAAAAAAAGU/3QQ_3cvuohY/s72-c/emaranhado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-975832413525495806</id><published>2009-03-11T20:02:00.005-03:00</published><updated>2009-03-11T23:57:34.694-03:00</updated><title type='text'>Cara ou Coroa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SbhD8CTy_hI/AAAAAAAAAGM/BBGMgtgmpok/s1600-h/dupla2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312070459174616594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SbhD8CTy_hI/AAAAAAAAAGM/BBGMgtgmpok/s320/dupla2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Siamesas, por Sabrina Sanfelice (auto-retrato)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cara ou Coroa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Acaso. Essa era a palavra mais usada por Emília para justificar seus periódicos abandonos. Dona da razão, mas com imenso bom humor, ela conseguia ter ao lado gregos e troianos e, quando enjoava, consultava novamente os livros de geografia com os olhos vendados. Tudo era rotativo para a moça de sorriso fácil. Um dia acordava tão adorável que era capaz de doar para caridade seu vestido mais caro e bonito. Bondade? Não. Emília não era capaz nem mesmo de fixar seu gênero. Suas atitudes eram baseadas somente na vulnerabilidade natural de seu ser, quase como num jogo de cara ou coroa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando nasceu, sua mãe demorou dois dias para dar-lhe um nome. Ficou entre Caterina e Giulia, mas escolheu Emília porque, na dúvida, fechou os olhos e pensou: “o primeiro deles que vier em minha mente será o nome de minha filha”. Como na TV de seu quarto passava o Sítio do Pica-Pau Amarelo, teve, por (auto)honra, que colocar o nome da menina de Emília quando ouviu Narizinho gritando para a boneca de pano e o nome que veio a mente não conseguiu ser nenhum dos outros dois.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde então, Emília também fazia escolhas aleatórias. Rodopiava nas lojas de brinquedos e lançava o olhar para o lado que parava o giro, gritando: é este mãe! Quero este jogo de panelinhas! Só que essa história de deixar as escolhas para o acaso, frustrava um pouco a menina. Ao chegar em casa, começava a notar que seu pai poderia ter comprado o jogo mais caro, como o de suas amigas, mas por causa dessa bagunça que ela criou com suas “escolhas não conscientes” fazia com que perdesse a personalidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como reverter isso tudo sem deixar que as pessoas pensassem que ela desistiu? Depois de passar a tarde toda nesse impasse, Emília teve uma idéia. Fingiria que tudo era uma questão do destino, mas, de certa forma, com uma boa pitada de sorte. Faria como os jogadores de baralho que dizem estar cercados de boa-venturança, mas não mostram a carta debaixo da manga. Agora, ao rodopiar pela loja de brinquedos, Emília aumentava a velocidade para que ninguém percebesse que, sutilmente, ela abria os olhos e espiava onde queria parar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi assim com a faculdade, os cursos, namorados, carros e amigos. Para não escolher, ela culpava a probabilidade. “Puxa, que pena que nosso namoro não deu certo. Mas, entenda que a culpa não é minha. Não fui eu quem escolhi”. Assim, seu bom humor era invejável. Ela não tinha culpa de nada, era uma pobre coitada que se sujeitava às vezes à sorte, às vezes ao azar. Limitava-se a encarar o destino que a vida lhe propunha e, como todos os inocentes, ser feliz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dia, jantando com seu recém-namorado, Hasard, o moço mais bonito de toda a cidade, ouviu a tão sonhada proposta de casamento. Emília queria muito que ele fizesse o pedido, mas não podia demonstrar que, aceitar, era escolha sua. Propôs que eles dessem uma volta a pé pelas ruas de Paris e parassem num lugar reservado para que ela pudesse rodopiar e, como na loja de brinquedos, onde parasse seria sua escolha. No vazio, não casava. Se abrisse os olhos e o visse na frente, seriam felizes para sempre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ansiosa, Emília sorria de orelha a orelha pensando na felicidade que seria quando, ao espiar pelo canto do olho direito, parasse na frente de Hasard. Fechou os olhos, o moço se posicionou e ela rodou freneticamente. A camisa branca podia ser vista mesmo com a menor abertura dos olhos. Parou devagar e olhou. Quando o viu em sua frente, abriu os braços num impulso e pulou no colo de seu “noivo”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na véspera do casamento, a campainha tocou. Eram flores, de Hasard, claro. Num cartão bonito, estava escrito: “você espiou”. Embora um pouco incomodada pelo fato de ter que admitir que se casaria por vontade própria, sabia que ele era o homem de sua vida, achando a brincadeira engraçadinha. Era sua primeira decisão consciente e ela tinha gostado de como se sentiu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte, Hasard não apareceu para casar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Obs: O nome Hasard (francês) tem um significado interessante... (para quem quiser pesquisar)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-975832413525495806?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/975832413525495806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=975832413525495806&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/975832413525495806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/975832413525495806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2009/03/cara-ou-coroa.html' title='Cara ou Coroa'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SbhD8CTy_hI/AAAAAAAAAGM/BBGMgtgmpok/s72-c/dupla2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-8106294184589024106</id><published>2009-02-07T04:17:00.003-02:00</published><updated>2009-02-07T04:22:38.773-02:00</updated><title type='text'>A sentença</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SY0nt87tiyI/AAAAAAAAAF8/AQdYF9qCVmc/s1600-h/thesentence.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299936006889114402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SY0nt87tiyI/AAAAAAAAAF8/AQdYF9qCVmc/s320/thesentence.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Homenagem a Oscar Wild, por Sabrina Sanfelice&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A sentença&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O bar abria às 21h, mas a falta do que fazer era o motivo dela esperar na chuva por um copo de conhaque e um cantinho para observar as pessoas. Depois da morte de quase todos os familiares doentes, sobrava tempo para essa mulher de 30 e poucos anos viver, ou melhor, observar a vida passar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ela tinha tantas pensões acumuladas dos entes que cuidou até o fim que não precisava trabalhar. Um apartamento no centro da cidade, prateleiras de vinis e livros velhos, um gato que herdou do tio Cosmo e tempo de sobra resumiam a vida de Giulia, conhecida, mas atualmente só pelas almas dos mortos, como Lola.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O bar era daqueles antigos, com tradicionais bolinhos de bacalhau, lingüiças e cerveja com rótulos velhos, que foi transformado em reduto de jovens intelectuais que gostam de praticar a mesma boemia de anos pelos quais não passaram. Bossa Nova, Chorinho, Divas do Jazz e o bom e velho Rock’n roll completavam a descrição do local. Numa mesa, no canto mais espremido do bar ficava Lola, com o mesmo copo de conhaque das 21h até o fechamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Lola não era de se jogar fora, mas de tanto se dedicar ao bem-estar dos outros passou a ser invisível em sua função como mulher. Era como se o fato de não ter vivido socialmente fazia com que não pertencesse aquele tempo, sendo aceita apenas no único mundo ao qual sempre esteve: dos esquecidos, que sentam e esperam a morte chegar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mas, um filme da TV fez com que resolvesse testar o mundo dos vivos, dos jovens, da beleza, do presente, dos que esperam o amanhã com o mesmo vigor que vivem o hoje. E o bar da esquina poderia ser o começo de qualquer expectativa. No início ela só entrava, espiava, sentava por minutos e ia embora. Depois, passou a beber um conhaque, dose suficiente para fazê-la rir sozinha e, por fim, freqüenta todos os dias e espera até que o último cliente passe pela porta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O que Lola mais gosta de fazer é ouvir pedaços de histórias das quais ela não conhece o começo e nunca fica sabendo do fim. No fim da noite, ao chegar em casa, ela escreve todos esses diálogos detalhadamente e, numa brincadeira quase infantil, junta pedaços de textos sem relação nenhuma, une vidas que nunca se encontraram, faz com que a amante de um senhor de 70 anos que bebe cachaça seja, apenas em sua imaginação, a estudante mais cobiçada da turma de Direito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Seus textos não têm função nenhuma, não saem da cabeceira de sua cama, não são lidos por ninguém, mas são para ela como os familiares queridos que cuidou: pedaços da história de alguém que são saboreados como se fossem seus. Afinal, quem não tem vida, alimenta-se de quê? É só observar as pessoas que estão com tédio falando o dia todo dos outros e esquecendo que a vida está passando. Por isso, Lola não é diferente. Não pode ser considerada uma pobre coitada que não tem vida própria. Tem muita gente espalhada nesse mundo que acha que tem vida, enquanto não passa de alguém que ainda espera viver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O melhor de ser assim é não precisar criar expectativas, não depender de um sim ou não, sucumbir por um olhar, beber para esquecer. É estar na platéia o tempo todo, sentir tudo o que é visto no palco e, ao ficar de pé e aplaudir, lembrar de que são todos atores e que aquela não é sua história, aqueles não são seus sentimentos. É apenas o fruto de sua imaginação interagindo com a idéia dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mas, a vida, aquela de verdade a qual você é obrigado a passar até o fim, aquela que você sente o ar entrando e saindo pelos pulmões e, quando tapa o nariz com os dedos, sente o quanto é frágil e medroso, essa não perdoa. Ela vai passando, atropelando como um caminhão que perde o freio na ladeira e, querendo ou não, você está ali, vai ter que encarar uma hora ou outra. Só que Lola ainda não sabia disso. Ela conhecia até mesmo a pior dor de todas, considerada a mais cruel, a da perda, mas mal sabia que o mestre Oscar Wilde estava certo quando dizia: “O mistério do amor é maior do que o mistério da morte”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Foi naquela mesma noite chuvosa. Sabe aqueles dias cinzas quando entes queridos são enterrados? Quando tudo conspira para que você não saia de casa porque algum acidente te espera na esquina? Quando, depois do acontecido alguém solta aquela famosa frase de que o destino é certo e para a morte não tem hora? Pois é. Pobre menina, mal sabia de nada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Foi rápido, bem rápido. O bar abriu, Lola ameaçou atravessar a rua. O sinal abriu e ela deu os primeiros passos. O freio do carro não estava bom e a rua de paralelepípedos molhados fez o veículo deslizar como sabão. Ela fechou os olhos, apertou fundo e abriu de novo. Uma imensidão azul se espalhou em sua frente, um pouco embaçada ainda, como se visse por detrás de um pedaço de vidro. Tudo se tornou silencioso e calmo, mas o coração pulsava a mil por hora para saber o que era tudo aquilo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Antes de dar o último suspiro, ouviu o que seria sua última sentença, aquela definitiva que todos escutam nesses momentos: “moça, desculpe se te assustei. Você está bem? Está indo para casa? É que com essa chuva toda achei que precisasse de uma carona. Faz tempo que te observo no bar, mas ainda nem sei teu nome”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Lola acabara de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-8106294184589024106?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/8106294184589024106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=8106294184589024106&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8106294184589024106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8106294184589024106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2009/02/sentenca.html' title='A sentença'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SY0nt87tiyI/AAAAAAAAAF8/AQdYF9qCVmc/s72-c/thesentence.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-8831681053639214083</id><published>2009-01-19T02:48:00.003-02:00</published><updated>2009-01-19T10:30:04.117-02:00</updated><title type='text'>(Um parêntese, por favor)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SXQGN39u6vI/AAAAAAAAAFs/EVan299zk0s/s1600-h/sabrina1jpg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292862297498118898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SXQGN39u6vI/AAAAAAAAAFs/EVan299zk0s/s320/sabrina1jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Parêntese, por Gisele Sanfelice&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Um parêntese, por favor)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Detesto mudar meus projetos iniciais. Mas, meus contos resolveram entrar de férias em janeiro para darem espaço a mudanças que estão acontecendo em minha vida. Confesso: não são poucas. Tanto que eu jamais usaria esse espaço com tanta intimidade para me expor. Quando disse para meu psiquiatra que tinha uma publicação de contos para não me expor ele disse: bem se vê que a maioria das pessoas que escrevem não se expõe. Sorte a sua ter esse privilégio. Eu, mero mortal, não consigo ser tão imparcial em minhas entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, escritores são todos fingidos. Sentem a dor alheia, tem a memória maior que tudo que só perde para o ego que, vira e mexe está lá, refletido nas palavras. E, remexendo em meus escritos mais antigos, desde a adolescência, percebi como a emoção da própria vida me fez criar com a literatura uma fuga sem volta para o mundo dos sonhos onde tudo é possível, inclusive não me expor, publicando contos que um incontável número de pessoas pode ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, tive medo. A minha exposição é pequena perto da minha responsabilidade. Se eu descobri que não sou Deus, não sou super-herói, não tinha nem sequer consciência da minha própria vida destacada em entrelinhas e ainda por cima sofro do mesmo mal de todos os escritores, porque eu ainda escrevo? Eu posso falar alguma besteira, querer compartilhar algo que um ser humano use como base, como fórmula mágica. E meus personagens? Eu sou parte deles ou eles fazem parte da minha vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas indagações só conseguem ser substituídas por detalhes sutis como alguém que chega para tomar um café e traz um pacote na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida, sabe o que tenho aqui?&lt;br /&gt;- Não, nem imagino. O que é? Um presente pra mim?&lt;br /&gt;- Não (risos). Um presente pra mim. É a primeira versão oficial do seu livro. Será publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas mãos trêmulas seguraram o pacote e fito o homem que, em instantes, anunciará a resposta de todas as minhas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que cara é essa? Parabéns! Vamos tomar alguma coisa para comemorar. Brindemos com café mesmo, mas brindemos!&lt;br /&gt;- Obrigada, Dear. Acredita que eu estava quase desistindo dessa publicação há minutos?&lt;br /&gt;- Acredito. Sempre achei que você escrevia por impulso, como tudo em você.&lt;br /&gt;- É mesmo? Pensou isso por algum motivo?&lt;br /&gt;- Não, mas por um raciocínio lógico. As pessoas só fazem alguma coisa por impulso por dois motivos: ou porque não sabem o que estão fazendo ou porque tem certeza absoluta do que fazem. E você, cara mia, tem os dois motivos. Só não esclareceu ainda dentro de você que, ter toda essa sensibilidade não é uma questão de vaidade, mas de necessidade. O escritor não é aquele que chora conosco, ele não precisa saber quem chorou ou não ao ler suas palavras. Percebe como é algo necessário?&lt;br /&gt;- Talvez.&lt;br /&gt;- Pense. Por que você come? Por que dorme? Por necessidade. Mas, se alguém te dissesse que enquanto você come e dorme está ajudando alguém a resolver questões existenciais, você pararia de fazer isso por causa da responsabilidade?&lt;br /&gt;- Não, não poderia, morreria.&lt;br /&gt;- Pois é. Se todos os escritores pararem de escrever, a humanidade morre. Isso assusta um pouco. Mas, eles continuarão pensando que, se pararem de escrever, quem morre são eles mesmos. O piolho continua sugando o sangue da cabeça sem pensar nas conseqüências para sua própria existência se o dono da cuca morrer. Não importa se alguém vai ler o que você escreve, mas você precisa fazer isso.&lt;br /&gt;- Mas, dessa forma eu me ausento de qualquer responsabilidade. Só estou sobrevivendo!&lt;br /&gt;- Não falo que o ego dos escritores é uma coisa enorme? Que prepotência a sua em achar que algum dia você mudou a vida de alguém. Você só o lembrou sobre alguma possibilidade que ele já sabia. Melhor: uma possibilidade que você roubou de alguém ou de você mesma. Sua ladra de sentimentos!&lt;br /&gt;- Acho que já consigo brindar mais tranqüila!&lt;br /&gt;- Faz um favor pra mim antes de brindarmos? Autografa essa versão e me dá de presente?&lt;br /&gt;- Claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dedico a primeira versão de meu livro ao homem que me ensinou a brindar. Que eu continue brindando minhas necessidades básicas para que, mesmo sem pão, eu nunca morra de fome e, por um mero acaso, preserve a humanidade”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-8831681053639214083?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/8831681053639214083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=8831681053639214083&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8831681053639214083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8831681053639214083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2009/01/um-parntese-por-favor.html' title='(Um parêntese, por favor)'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SXQGN39u6vI/AAAAAAAAAFs/EVan299zk0s/s72-c/sabrina1jpg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-6615410798346661731</id><published>2008-12-14T13:56:00.004-02:00</published><updated>2008-12-14T14:02:19.568-02:00</updated><title type='text'>O sono do ébrio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SUUsyz9Zn0I/AAAAAAAAAFM/8-1Na5XYaAo/s1600-h/ebriedadebysa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279675389614595906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 258px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SUUsyz9Zn0I/AAAAAAAAAFM/8-1Na5XYaAo/s320/ebriedadebysa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Saudade do futuro, por Sabrina Sanfelice (2005)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capitulo X&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O sono do ébrio&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Embriagado. Inebriado pela ausência da razão. Era assim que ele estava se sentindo ao folhear a segunda página de um livro em branco. As lágrimas escorriam pela face do sujeito moribundo ao contar, com emoção e perturbação, sua experiência com aquele que seria não só o objeto de estudo da vida de Ulisses, mas atualmente e para todo o sempre, sua razão de viver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Antonio era um homem de cinqüenta e poucos anos aposentado por invalidez. Alguns diziam que tinha mal de Alzheimer, mas a enfermeira da Casa de Repouso jurava que era loucura pura. Dizia pausadamente cochichando: “no começo eu até pensei que era tudo fingimento, mas depois de anos eu tive a certeza de que ele não bate bem dos pinos”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ulisses tinha percorrido quilômetros até chegar naquele local no cafundó do Judas para conhecer a primeira pista verdadeira das muitas pelas quais seguiu nos últimos tempos e que poderia levá-lo a ter contato real com seu “livro”. Ele quase perdeu a vontade quando teve que dormir em redes, comer sentado no chão de barro, tomar água suja de poço numa caneca de alumínio usada por mais de cinco pessoas no mesmo dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mas, a força que movia sua busca já não era mais a mesma que a conquistou no começo. De curiosidade e mistério, há tempos que aquilo tudo já tinha passado pelo âmbito do irracional, da fuga da única realidade que ele poderia usufruir, de tudo que ele tinha medo de deixar ou não tinha coragem suficiente para mudar para, finalmente, se tornar um assunto ligado ao ego. Quando se perde tudo, ainda existe um elemento fundamental para completar a total perda da essência e da dignidade, chamado orgulho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;“Não existe busca mais medíocre do que aquela que é manipulada pelo orgulho. O orgulho em vencer uma guerra faz com que sejamos indignos da vitória. Competir é para os fracos. Os fortes estão interessados em complementar, em acrescentar e, enquanto os competidores sangram em busca de um troféu invisível, o sábio está abaixado no ringue da vida, recolhendo todos os pertences e o sulco que de vida de todos aqueles meros mortais. A sabedoria não morre. Ela perambula pelo universo através de portas que só podem ser acessadas por caminhos não convencionais”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Isso está escrito no livro, Antonio? Por que você ficou com essa parte em sua mente? Por favor, repita os detalhes desta composição para que eu consiga captar tudo aquilo que preciso para completar minha busca. Eu preciso encontrar esse livro e absorver, assim como você, conhecimentos que ainda não domino, mas que atormentam minha mente pedindo passagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Você ainda está bêbado, meu caro amigo. Não se pode beber da fonte do conhecimento quando manipulamos nossa consciência com entorpecentes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Eu? Bêbado? Você está louco? Eu não coloquei uma gota sequer de álcool na boca. Estou tão sóbrio como uma criança de quatro anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Primeiro erro. Quem disse que uma criança de quatro anos tem a opção de estar sóbria? Elas não precisam entorpecer a mente porque a realidade que enxergam está longe de ser interpretada. Elas consomem e abusam de um elemento que perdemos e que, sem ele, não conseguimos chegar a lugar nenhum: a inocência. A inocência e a humildade andam de mãos dadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Bom, o que eu fiz foi somente usar uma metáfora. Usei a frase para tentar te dizer que estou sóbrio, só isso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Segundo erro. Sobriedade e embriaguez não são antônimos. A moderação da sobriedade me enoja. Ela é tão nojenta quanto à moral que a criou. A embriaguez pode ser um estado de entorpecimento temporário, mas ainda sim é mais digna do que a sobriedade. Portanto, eu ainda achava você melhor bêbado. Espero que não tente me convencer de sua sobriedade e só volte aqui quando souber o que te trouxe até mim. Antes disso, serei para você como um livro com as páginas em branco:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;“A frustração de ver as folhas em branco não será maior do que o desespero de ter que preenchê-las com suas próprias mãos, criando assim um livro no qual você é autor e personagem. Um livro com o qual temos que lidar com a culpa e a responsabilidade de ser quem somos dos dois lados, de todos os lados, de dentro e de fora, do racional e do irracional. Uma história na qual não existem ventríloquos, leis, moral ou imposição. Estamos escrevendo as páginas de nossas vidas, na qual a tinta que borra o papel é vermelha escarlate... e o ponto final é nosso último suspiro”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Os olhos de Ulisses se encheram de lágrima porque, talvez ali, com aquele moribundo, num momento tão simples, com o cheiro fétido da cama de um lugar de ninguém, ele tenha começado a entender o que estava buscando.&lt;br /&gt;Abra seus olhos Ulisses. Abra seus olhos, disse Antonio. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Estão abertos, caro amigo, mas minhas pupilas ainda não se acostumaram com a luz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-6615410798346661731?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/6615410798346661731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=6615410798346661731&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6615410798346661731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6615410798346661731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/12/o-sono-do-brio.html' title='O sono do ébrio'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SUUsyz9Zn0I/AAAAAAAAAFM/8-1Na5XYaAo/s72-c/ebriedadebysa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-176028590519149108</id><published>2008-11-20T01:31:00.004-02:00</published><updated>2008-12-14T14:02:38.238-02:00</updated><title type='text'>Maria Madalena</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SSTazBgjoEI/AAAAAAAAAFE/ng6cPkNAJTg/s1600-h/crucifixo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270578034043494466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 254px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SSTazBgjoEI/AAAAAAAAAFE/ng6cPkNAJTg/s320/crucifixo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Desejo crucífero, por Sabrina Sanfelice&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo IX&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Maria Madalena&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em desespero ela fechou os olhos para não ver sua imagem refletida no espelho. As lágrimas que escorriam pela face pálida podiam ser confundidas com as gotas de chuva que caiam fora do carro, vistas do retrovisor lateral. A saliva, confundida com o momento do choro se tornou espessa e amarga, sensação que traduzia uma só palavra: arrependimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Foi num desses dias de total vocação aos seus ensaios de piano, seus alunos do Conservatório e a pausa para o chá que ela se deparou com o que podemos chamar de “o dia em que o diabo saiu para passear”. Seu melhor aluno desistiu do curso para aprender guitarra e ela teve que mudar todos os seus planos. Exaustivamente tocou a Sinfonia nº 8 de Dvorák até que seus dedos pediram outra vocação. E, influenciada pelo coisa-ruim que ronda as mentes bem-comportadas, teve seu primeiro impulso: vou tomar um café.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Seu cérebro racional até tentou resistir, de todas as maneiras. Ela não mudava de planos, nunca tomava café, jamais agia por impulso e não costumava ter idéias mirabolantes que alterassem sua rotina. Mas, foi impossível resistir. Quando os “demônios do meio-dia” resolvem sair para corromper a mente de um ser humano, não há quase nada que se possa fazer. Saiu às pressas do Conservatório, desceu as escadarias freneticamente, como se lá embaixo alguém a esperasse com os braços abertos para um abraço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Envolvida pela fumaça dos charutos, a imagem bucólica dos leitores assíduos e o cheiro de vício que implantava cafeína até pelos poros, Cláudia caminhou sozinha entre as mesas do Sebo da 29 de Março, local preferido de seu namorado Ulisses, mas que hoje era só dela. Fechou os olhos e pensou que aquele dia seria dedicado à sua imaginação. “Vou pensar que sou Ulisses e o que estaria fazendo aqui essa hora”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao abrir os olhos novamente, numa fração de segundos, uma delicada rosa amarela estava posta ao lado de seus dedos entrelaçados. Ela quase riu da brincadeira, mas isso não era permitido pelo seu moralismo exagerado. Quem teria colocado aquilo? Seria um hábito estranho das cafeterias antigas? Ulisses estaria atrás dela rindo da cena? Seria necessário fechar os olhos para fazê-la desaparecer novamente?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ela nem precisou de tanto esforço. Ao tocar na planta ainda úmida, notou que o papel que a identificava tinha sido confundido por seus olhos com a toalha branca da mesa. Na surpresa de ver a flor, Cláudia nem notou o bilhete embaixo. Levantou a rosa com pressa e, como todo bom pacto com o demônio, furou o dedo em seu maior espinho. A gota de sangue era o que faltava para selar de vez seu destino daquele dia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ai, caramba! Essa doeu! Como vou ensaiar com um dedo infeccionado? Eu nem deveria ter saído de casa hoje. Já vi que não levantei com o pé direito. Sua voz-pensamento foi substituída por uma mais grave que sinestesicamente tocou sua mão machucada por trás de suas costas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;"Deixe-me ver esse dedo". Se existe uma coisa que fere mais as mulheres do que a rejeição é serem machucadas por sua ingenuidade. Ninguém espera que algo tão bonito e inofensivo como uma rosa possa fazer tamanho estrago. Mas, nada que o tempo não cicatrize e que uma boa assepsia não evite problemas maiores. Deixe-me cuidar de você, só por hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cláudia, desnorteada pelos seus impulsos cerebrais que diziam muitas coisas ao mesmo tempo como “quem é esse estranho me tocando”, “alguém pode estar vendo essa cena e confundindo tudo”, “devo ser imperativa em meus princípios ou ser gentil e educada”, ao mesmo tempo em que seus pêlos eriçados pelo sopro da voz que falava perto de sua nuca, diziam deliciosamente “aproxime-se”. Foi seu segundo impulso mefistofélico que a fez dizer “obrigada por me ajudar, sou uma pianista e não posso ter um dedo machucado”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Essa frase foi só o começo do arrependimento da pobre alma, que pouco a pouco seria profanada. Depois disso veio o café e toda a agilidade da cafeína em aumentar os impulsos e favorecer as conversas, em seguida uma risada um pouco mais relaxada, a indicação de sons e livros, o conhecimento das semelhanças que abriam os canais de atração, um toque sem querer na mão e a desculpa de verificar o dedo machucado e, por fim, a consciência da volúpia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Saindo da cafeteria como se tivesse acabado de transar com um estranho num banheiro público, Cláudia foi surpreendida por uma forte chuva. Suas roupas de seda que antes eram leves e esvoaçantes grudaram em seu corpo fazendo com que cada centímetro fosse realçado aos olhos alheios. As rendas, o cabelo preso, agora ensopado e a maquiagem escorrida lhe davam o aspecto daquelas amantes em desatino que escolheram uma tarde chuvosa para um suicídio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ela quis chegar rapidamente a um ponto de táxi, mas o gentil cavalheiro da cafeteria veio ao seu encontro com o casaco por cima da cabeça, tentando protegê-la da chuva, enquanto não só a desprotegia dos arcanjos que lutam contra o demo, como arrancava aos dentes seus muros altos de concreto chamados de “inconsciência imaculada”. Juntos, quase abraçados por uma névoa de curiosidade e volúpia, ficaram na beira da rua a esperar um táxi. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ela evitava os olhos amendoados, enquanto ele apertava de leve sua cintura na intenção de confortá-la do frio. A tempestade aumentava e o casaco já não era suficiente. Cláudia estava desesperada para que seu anjo da guarda lhe mandasse reforços, mas a legião de seguidores do chifrudo brincavam de roda entre os dois. Atrás deles um único letreiro piscava vermelho e forte: hotel 24 horas. Era chegado o momento da última tentação do deserto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Correram para dentro do estabelecimento, enfim, protegidos da chuva. Chuva que nesse momento era culpada de todos os pecados do mundo. Começava a escurecer mais cedo por causa do mau tempo e a opção dos dois foi sentar-se num sofá da recepção. Mas, a atendente mal-educada que mascava o mesmo chiclete desde cedo, disse que não era permitido ficar ali sem que pagassem pela hospedagem. O cavalheiro levantou, pagou e voltou com um sorriso dizendo: você não precisa entrar no quarto, se não quiser. Eu já paguei para ficarmos aqui, sem problemas. A não ser que queira se secar e esperar a chuva passar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Seu cansaço e sua aparência derretida pela água lutavam contra seu senso moral, mas a perigosa frase “o que há de mal nisso”, ganhou a partida dando xeque-mate na mente rigorosa da moça. O tempo, assim como a memória, pode parecer infinito quando se atenta aos detalhes da paixão. Na mente de Cláudia, ficaram os passos macios no carpete verde escuro da escadaria do hotel, que, em quatro pernas construíam o acorde de uma sinfonia deliciosamente amoral. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A parte do diário em que a volúpia se desveste por inteira e o diabo faz um brinde encarando firme os olhos de Deus, foram arrancadas ao som da Ave Maria de Schwartz. Cláudia passou a freqüentar as missas todos os domingos e nunca mais bebeu café em toda sua vida. As únicas coisas que a incomodavam eram o bilhete da flor que nunca leu e o cheiro da paixão que, agora, se assemelhava ao hálito de seu namorado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na sua cafeteria preferida, Ulisses, ainda atordoado com a história do livro, senta, pede o de sempre e repousa sua mão sobre uma gota de sangue que manchava um papel ainda úmido pela flor que esteve repousada em sua superfície. Dentro, na primeira dobra, um símbolo da Congregação das Filhas de Caridade Irmãs Canossianas e felicitações sobre a comemoração do dia de Nossa Senhora Desatadora de “Nós”. Dentro, uma frase de apelo religioso ou, para muitos cordeiros perdidos, a palavra da salvação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir...” (I Coríntios 10:13)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-176028590519149108?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/176028590519149108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=176028590519149108&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/176028590519149108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/176028590519149108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/11/maria-madalena.html' title='Maria Madalena'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SSTazBgjoEI/AAAAAAAAAFE/ng6cPkNAJTg/s72-c/crucifixo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-6112914953660799485</id><published>2008-10-31T04:02:00.003-02:00</published><updated>2008-10-31T04:09:24.340-02:00</updated><title type='text'>Bon voyage</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SQqf52LJ5oI/AAAAAAAAAEU/dfidBXzYfVM/s1600-h/two.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263194930679506562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SQqf52LJ5oI/AAAAAAAAAEU/dfidBXzYfVM/s320/two.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;Ponto de equilíbrio, por Sabrina Sanfelice&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo VIII&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Bon voyage&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Com o corpo ainda quente em seu colo, Heloíse começou a recordar de Anna, a amante mais marcante de seu pai. A cena, vista pelo vão da porta do quarto, parecia uma dança dos corpos. Um homem com volúpia de paixão entrelaçava o corpo farto de uma garota que, apesar da pouca idade, esforçava-se para mostrar seus encantos através dos atos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Heloíse apaixonou-se de cara. Seios fartos, cabelos que desciam até o meio das costas, perfume levemente adocicado e olhos de bicho. Ela era uma mistura de angelical e profano, uma mulher que poderia ser sua mãe e seu maior objeto de desejo. Assim era a doce Verônica, irmã mais nova de uma família de seis irmãs. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Tiveram uma relação de amizade primeiro. A mesma faculdade, os mesmos interesses e até a disputa pelos colegas de classe. Mas, nada que não pudesse mudar com um empurrãozinho de uma taça a mais de vinho. Numa dança frenética do baile de formatura, os olhares se cruzaram e os corpos obedeceram cegamente o apelo da libido. Cansadas de tanto amar, adormeceram juntas no sofá de alguma sala alheia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Anos depois, Heloíse apresentava sinais destruidores de ciúme. Verônica deixou de ser sua bonequinha de luxo para tornar-se seu mais precioso “bem”. Alguém com quem ela dividia a casa, os afazeres, a cama, mas não suportava dividir com o resto do mundo. E quando falo em resto do mundo, significa um simples cão sem dono que pede um prato de comida no portão. Dizem que o maior egoísmo da paixão (e não do amor) está na negação do fio de vida que conduz um ser humano. A ínfima pele que divide a vida e a morte dentro de uma paixão é rompida com esse sentimento moral e mesquinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Os olhos dela secaram. Já não se notava mais o brilho das pupilas que, radiantes, abriam com a chegada de um sorriso. Debaixo das olheiras de cansaço, estava uma expressão medíocre de definhamento. A diferença entre um ser humano morto e um ser humano limitado de seus maiores dons é somente a alteração das pupilas. Quando morremos biologicamente, somos dominados pela escuridão visual. Quando morremos por não sabermos fazer nossas escolhas e sucumbimos ao egoísmo alheio, somos dominados pela clareza do medo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Ela ainda não sabia o que fazer com o corpo. Pensou simplesmente em deixá-lo limpo, arrumado e encostado na borda da banheira para que naturalmente afundasse por completo com o peso e a falta de apoio. O quarto ainda cheirava desgraça. E a ausência de lágrimas demonstrava o descontrole de alguém que tenta entender o que o fez deixar de ser razão para tornar-se só emoção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Sem lágrimas ou destino, Heloíse caminhou até o apartamento de sua irmã mais velha, Cláudia, com quem costumava conversar depois que o resto da família dissipou-se na vergonha de seus atos. Bateu na porta várias vezes e notou a ausência da irmã. Empurrou o capacho com os pés e encontrou a chave que Cláudia guardava para emergências. Entrou sem acender as luzes e sentou-se no banquinho de piano. Na frente, o porta retratos com a foto da mãe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Sem rumo, Heloíse começou a conversar com a imagem daquela que seria a mulher que poderia guardar sua culpa, assim como carregou a do marido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mãe, estou tão cansada. Não consigo mais carregar o monstro que vive aqui dentro e tenho medo de alimentá-lo. Apesar de tentar tê-la como base, meus impulsos foram guiados pelos apelos visuais dos quais não apenas mantive em meu cérebro, como dei asas para que pudessem regar minha dor. Dor que só vim a perceber hoje. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Lembro-me bem da primeira a última amante. Diferentes corpos que carregavam as mesmas vontades. Cheiros, texturas, olhares e sussurros que construíram minha imaginação sedenta por atenção. Quando levadas para o salão de leitura, debruçadas ao piano, conseguia visualizar pela fresta da porta, seu ventre trêmulo refletido no verniz da madeira escura, iluminada apenas por luz indireta.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;O pênis, ereto e dominante alcançava as entranhas como um pássaro que, ao alimentar seu filhote, troca com ele secreções íntimas. Eu não sabia mais diferenciar o sagrado do profano, o natural da obsessão. Engolida pelo mundo denso das risadinhas e gemidos, o momento do meu êxtase era quando Anna, a amante mais bela de meu pai, engatinhava pelo tapete nua, com a pele vermelha de tanta fricção e, numa parada repentina, encostava só a pontinha de seus “lábios” no balde de gelo, como se fosse sentar na garrafa de champagne que estava a gelar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ela, de costas para mim, montava uma cena inesquecível. Sua silhueta perfeita com a luz que incidia da frente parecia uma garrafa de licor caro equilibrada apenas por um fio a uma outra garrafa. Como se, empilhadas pelo gargalo, beijam-se escondidas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas, essa cena durou apenas alguns segundos até que meu pai, doido de paixão e ciúmes, interpretasse a garrafa de champagne como seu primeiro inimigo. Depois disso eu já esperava pelo pior. Só fui me acalmar quando, num dia de muito calor, enquanto meu pai acendia um cigarro, cruzei meu olhar com o dela, revelando meu segredo e abrindo as portas para um novo mundo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fantasiada por ser vislumbrada por um ser inocente com apenas alguns anos de vivência terrena, Anna ficou cada vez mais perversa. Pulava no colo de meu pai em todos os ângulos que pudessem favorecer meu campo de visão. Segurava e beijava os próprios seios como se fossem grandes bolas de sorvete de creme, suculentas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu até que tentava resistir, mas nos dias quentes isso era praticamente impossível. O suor descia pelo meu rosto como se fosse álcool alimentando minhas labaredas internas. Eu estava perdidamente apaixonada. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu nunca tinha te visto até o dia da morte de Anna – ressaltou a voz que vinha de uma poltrona do fundo da sala de Cláudia. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu nunca imaginei que você poderia ser fruto de minhas volúpias ou que pudesse entender o grande significado dos detalhes quando estamos apaixonados. Como um simples objeto pode por em questão as lacunas de nossos medos, como deixamos de querer a vida para desejar a morte, não só do ciúme, mas principalmente daquele que nos traz de bandeja esse sentimento tão medíocre e indigno.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando matei Anna, matei a única coisa que me mantinha vivo: minha insanidade. Louco e atormentado pela razão e consciência, fatores nobres que só aparecem depois da inexistência da paixão, eu me condenei à morte. Assim como você, Heloíse, pobre menina que eu deturpei os sentidos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Anna ainda estava quente quando Heloíse a beijou. Sugou todo fio de vida que ainda restava em seus lábios adocicados e adormeceu colada ao seu corpo estendido no tapete persa. Aquela foi a melhor noite de sua vida. O dia em que ela pode experimentar de seus instintos, embebida em sua inocência juvenil.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Devagar, ajeitou o corpo de Verônica sob o tapete. Arrumou seus cabelos passando-os por entre os dedos. Limpou todas as marcas de sua fúria, dando em troca um pouco de pó de arroz, o mesmo que Anna usava. Vestiu a mesma camisolinha azul e deitou- se sobre ela. Os remédios lentamente faziam efeito, enquanto Heloíse deixava as lágrimas lavarem-lhe a alma e tirarem o peso da culpa de ter aprendido a amar através da morte. Seus poucos anos de vida foram compensados pela espera daquele mesmo momento que a fez voltar ao seu maior desejo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O homem que estava sentado na poltrona apagou o cigarro. Nada mais podia ser visto, a não ser a cena shakespeariana levemente enaltecida pela luz da fresta da porta. Como quem chega para logo ir embora, ele sai pela porta da frente, assim como o personagem secundário de um triângulo amoroso que entende que os protagonistas são apenas dois.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;"A diferença entre a paixão e o amor é como a vida e morte. Por mais que sejam baseados nos mesmos princípios ilógicos, transcendentais, inexplicáveis e até mesmo pela ignorância e inocência, um sempre sai de cena quando o outro entra pela porta."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-6112914953660799485?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/6112914953660799485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=6112914953660799485&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6112914953660799485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/6112914953660799485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/10/bon-voyage.html' title='Bon voyage'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SQqf52LJ5oI/AAAAAAAAAEU/dfidBXzYfVM/s72-c/two.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-7850680032485920995</id><published>2008-10-12T01:13:00.003-03:00</published><updated>2008-10-12T01:21:05.491-03:00</updated><title type='text'>Aos sete</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SPF5t-X4AdI/AAAAAAAAADs/2zK0K43Kfdw/s1600-h/o+balan%C3%A7o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256116070862291410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SPF5t-X4AdI/AAAAAAAAADs/2zK0K43Kfdw/s320/o+balan%C3%A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;O balanço do tempo, por Sabrina Sanfelice&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Capítulo VII&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;Aos sete&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Acordei com um incômodo nas costas e gosto de bala na boca. A cena que completava o ambiente era drástica: pequeninos pés vestidos com meias brancas e sapatos de verniz preto dividiam o horizonte com a tábua de um balanço de madeira, ainda úmido pelo orvalho da manhã. Eu tinha apenas sete anos quando me perdi para sempre do mundo real.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Entre a terra e as folhas secas do meu lugar preferido dos fins de tarde, adormeci sozinho. Nem os gritos de minha ama de leite conseguiram me tirar do entusiasmo de estar sem banho, comendo doces e escondido nos jardins de minha vizinha há horas. Era lá que eu fugia da realidade e criava um universo possível o qual sinto saudade até hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O gosto amargo da nostalgia só vem tempos depois que a lembrança aparece e, em seu lugar, nos deparamos com a impossibilidade da volta. Naquele exato dia em que minha mãe saiu para colocar uma carta no correio, eu fui atropelado por um sono profundo, quase mortal e um tanto estranho se analisarmos a fundo a história verdadeira, contada por meus ancestrais ainda vivos. Dizem que memória de criança é algo fantasioso, mas nesse caso a minha é apenas um fragmento de todo o fato comprovado pelas mentes mais sãs de minha família. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Contam que me procuraram por semanas e só me encontraram voltando com os sapatinhos na mão exatamente um mês depois de darem conta de meu sumiço. Carolina, minha irmã mais velha dizia ter visto os ciganos me levarem como filho postiço. Juca, meu amigo inseparável dizia que eu tinha ido para a constelação Ursa Maior, a qual fazíamos contato desde os quatro anos. Dona Ermelinda jurava que os homens do circo levavam crianças todas as vezes que passavam por alguma cidade nova.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Meu pai, sensato homem de bem, sabia que não poderia haver explicação plausível em nenhuma dessas alternativas, já que eu tinha voltado por vontade própria para casa. O caseiro meio-índio e grande amigo, Francisco, com pena das surras que eu levei até que algo de real saísse de minha boca, afirmava que nas matas ali perto havia um cipó nativo que fazia qualquer homem perder a noção de espaço e memória quando pisoteado sem querer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mas meu pai não queria saber de lendas. Ele queria era descontar em mim toda a tristeza da morte de minha mãe. Por algum motivo ele me culpava pelo acontecido, ou melhor, tinha certeza de que meu sumiço estava diretamente ligado a morte dela. Não existem coincidências Ulisses! Ela saiu para ir ao Correio ao mesmo tempo em que você saiu para brincar e, no outro dia eu tenho uma mulher morta e um filho desaparecido. Tenho certeza de que você não quer me contar alguma coisa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Eu sempre soube do caso de minha mãe com o homem de olhos azuis e até mesmo sabia que a carta era para ele, mas não poderia imaginar o que teria acontecido naquele dia para que ela, mesmo com toda a agonia guardada no peito, cometesse suicídio. Lembro de ter saído para brincar no balanço do jardim e adormecido sem querer. Não conseguia entender nem ao menos que, nessa lacuna do tempo, minha mãe havia morrido, meus pés crescido e um mês decorrido sem que minha mente tivesse consciência disso tudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Culpado! Culpado! Culpado! Essas eram as vozes que eu ouvia quando olhava todos os membros de minha família enquanto o carro que me levaria ao internato saia da fazenda. Não me deram nada para que eu lembrasse dela no tempo em que estivesse por lá. Não me visitaram sequer uma vez até que os estudos terminassem e nem ao menos as férias ou Natal eu pude passar com alguém do meu próprio sangue.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nada disso importava para um menino de sete anos mais do que carregar a culpa da morte de sua mãe. Nada, até o dia em que uma carta envelhecida, quase apagada pelo tempo caiu em minhas mãos exatamente vinte anos após a morte de Dona Clara dos Anjos. Com os dedos trêmulos da ressaca da noite anterior, abri com lágrimas nos olhos a resposta que eu tanto busquei para dar ao meu pai.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Endereçada a minha mãe, com letra de quem tem na escrita sua fonte de vida, o conteúdo começava com a doce saudação &lt;em&gt;“Bom dia, meu amor”&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;As coisas por aqui estão exatamente como você deixou. As flores crescem, assim como a promessa de que, um dia, estaremos juntos. A única coisa que me incomoda é que não sei qual sua cor preferida para pintar as paredes de nossa sala de estudos. A sala na qual poderei terminar o seu sonho de me trazer chá na ponta dos pés para não atrapalhar o andamento do livro.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Clara. Gosto de escrever seu nome com todas as letras para que elas ressoem em minha mente como um fragmento do meu amor. Amor que carrego há anos como um bem precioso, ainda adormecido, mas no qual acredito com todo meu coração. Sentimento frutífero que pode ser descrito pela memória dos dias felizes, embora fracionados, que passamos juntos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Ainda sou capaz de lembrar da areia branca cobrindo seus pés quando construímos juntos o maior bem de nossas vidas: Ulisses. Tenho certeza de que um dia você me deixará contar a ele essa história que o permite ter, diferente de todos seus irmãos, olhos da cor do mar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Meu amor, ainda que não tenha o hábito de promessas, abro aqui um parêntese para prometer a você que o conteúdo de sua carta será totalmente ignorado. Não posso e nem quero conceber dentro de mim que você tenha permitido tal crueldade. Nunca imaginei que ao pedir insistentemente para que você contasse a verdade, pudesse selar seu destino com mãos de ferro.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Dessa vez, diferente de todas, viajo essa noite para te buscar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas Ulisses, ainda não entendi porque sua mãe se matou, se é que ela realmente se matou, sem sequer ler a resposta.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se você como terapeuta não concluiu a história, a única coisa que posso te dizer é o que suspeitei ao olhar nos olhos de minha mãe, ao me despedir na manhã que antecedeu sua morte. Dona Clara dos Anjos não sabia mentir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-7850680032485920995?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/7850680032485920995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=7850680032485920995&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/7850680032485920995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/7850680032485920995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/10/aos-sete.html' title='Aos sete'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SPF5t-X4AdI/AAAAAAAAADs/2zK0K43Kfdw/s72-c/o+balan%C3%A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-3285224328403299521</id><published>2008-09-23T01:33:00.009-03:00</published><updated>2008-09-23T01:59:27.036-03:00</updated><title type='text'>Objeto de Desejo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://http//www.coracao-envenenado.blogspot.com/"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5249071582505600418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SNhyyyPYBaI/AAAAAAAAADE/vk9skg_oD98/s320/reflex%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;"&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A espera", por Sergio Biscaldi&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; (brother ship que comemora 3 anos de blog!)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Objeto de Desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Não podia mais esperar para voltar ao sebo e tocar os dedos no livro que tinha feito minha mente parar de raciocinar para experimentar o desequilíbrio, o caos, mas principalmente, o desejo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes eu me acho e me perco como se esse movimento fosse algo nato em meu ser, como se a trajetória de mudança pudesse significar, em todos os sentidos, um leve empurrão do tempo que se move em acordes controlados para proporcionar aquilo que chamamos de "surpreendente". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao caminhar pela rua podia sentir a mesma cena se repetindo. O mesmo cheiro do café, a mesma salivação pelo primeiro gole, o golpe da memória que me dizia com todas as letras que eu era um viciado pelos pequenos prazeres de uma rotina na qual eu poderia ser ao mesmo tempo o autor e o personagem de meu próprio livro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entrei e, num ato impulsivo pela busca de meu anseio mais secreto, esqueci todo o resto para saborear a angústia de chegar à prateleira e tocar os dedos em meu mais novo “objeto de desejo”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O corredor parecia um labirinto quando visto de longe. As garçonetes, na tentativa de serem gentis pelo meu tempo de clientela, se colocavam no caminho como se fossem peões num tabuleiro de xadrez. Eu, na minha fúria por derrubar todos os muros que me impediam de ver a luz, cheguei a ser grosseiro a ponto de falar “bom dia” ao mesmo tempo em que emendava a frase “não me traga café nem me ofereça nada que eu não peça”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meus pés quase não tocavam o chão quando fiz a curva que me levaria à prateleira-alvo. Mas, minha mente quase colapsou quando meus olhos mostraram uma figura estranha, jamais vista no local, no mesmo lugar onde meu tão sonhado objeto estava posto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procurei usar daqueles artifícios dos livros de auto-ajuda do tipo: “não seja tão pessimista, existem vários livros na mesma prateleira”. Mas, como não pensar em nada estranho depois dos últimos acontecimentos em minha vida? Fui forçado a contar com a possibilidade de tudo poder acontecer, até mesmo de, num ato de desespero, arrancar o livro das mãos daquela velha senhora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antes do último passo que eu daria em direção ao meu objeto de desejo, a voz dela, que mais lembrava a de minha mãe, deixou-se ressoar no ambiente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ulisses. É você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhei bem seu perfil quase coberto por um livro e não a reconheci. Mas, num tom de educação afirmei que sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegou tarde demais. O que você procura não está mais aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E como você sabe o que procuro? Por sinal, não te conheço. Quem é você?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é... ou melhor, não preciso dizer meu nome. Isso não importa. O que importa é que você chegou tarde demais para quem procura alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olha... me desculpe senhora, não quero ser rude, mas minha vida está tão confusa ultimamente que não sei se realmente quero começar uma conversa como essa, com tantos mistérios. Só quero pegar um livro e vou embora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Você não querendo mistérios? Então para que quer um livro que nem o nome sabe? Não seria contraditório demais alguém querer algo que não sabe o que é e ao mesmo tempo fugir da palavra mistério?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas o que eu quero não é o mistério. Eu só desejo ser surpreendido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E você acredita que essa sensação esteja em outra coisa senão em você mesmo, meu filho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu te dizer uma coisa. Não são as pessoas ou as coisas que nos surpreendem. Somos nós mesmos, quando numa fração de segundos nos permitirmos mais "ser" do que "não ser", quando nos permitimos ver, sentir, cheirar, tocar, amar....&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ser humano é feito de muitos elementos e um deles é o vazio. Um espaço que precisa ser preenchido como páginas de um livro em branco. Como folhas de um caderno velho no qual só enxergamos borrões do tempo, em línguas que só aprenderemos a falar depois que soubermos quem verdadeiramente somos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É como abrir um diário, numa data aleatória e perceber que nunca viveu aquilo porque as folhas se encontram numa dimensão futura que nos permite ter saudade de nós mesmos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estranho a senhora dizer isso tudo. Eu sinto como se te conhecesse, como se tudo isso fosse necessário, mas a minha ansiedade sonha pelo momento em que eu puder me aproximar do livro e por isso eu não quero ouvir mais nada. Por favor, me deixe sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro. As palavras e os pensamentos têm a força que controla todos os impulsos. Vou te deixar a vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só não esqueça, Ulisses, de que o desejo é a forma mais egoísta e cruel que nos foi imposta para que esqueçamos quem somos para querermos ser apenas um fragmento do que queremos “parecer”. O desejo nos dá a sensação momentânea de sermos divinos, enquanto ainda somos humanos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Obrigado pelas palavras Lúcia. Mas, por hora, quero apenas satisfazer meu desejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Num impulso frenético que mal deixou com que a velha senhora se afastasse da prateleira, meus olhos se puseram a buscar pelo livro. Poeira, pedaços de etiquetas amassadas e cheiro de mofo se misturavam aos meus sentidos enquanto meus olhos buscavam pela descrição mental criada no passado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Horas se passaram em vão sem que eu percebesse que não o encontraria. Afinal de contas, como aquela mulher sabia que o livro não estaria aqui? Como eu poderia ter ignorado as palavras dela sem que pedisse antes por alguma explicação? Quem era aquela mulher?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa retrospectiva rápida não me recordava de tê-la visto em nenhum outro momento. Mas, meu coração saltou a boca quando lembrei que há pouco tinha conversado com alguém que não conhecia, mas que sabia meu nome e que eu, sem perceber, tinha dito o dela com todas as letras: Lúcia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou em desespero. Acho que morri e estou no inferno. Não é possível que, de uns tempos pra cá, minha vida tenha se tornado esse emaranhado de fios de cabelos dentro de um ralo sujo. Eu preciso de uma luz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O senhor pediu uma luz? – disse a garçonete com um sorriso no rosto. Só ofereço porque o senhor mesmo disse que não era para oferecer nada sem que tivesse pedido, mas, como pediu, aqui está.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Teria eu pensado tão alto assim? Nossa, devo estar em devaneios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Peguei o papel da mão da garota e caminhei até a porta de saída para ler na claridade. Papel cartão, letras minúsculas, marcas de carimbo, datas e finalmente reconheci: um cartão de empréstimo do próprio sebo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na última linha, o campo da data indicava 29 de junho de 2009. No lugar do nome do livro, um código apontava o número de tombo do exemplar e, no nome, em letra de mão “Lúcia Ashmey”. O próximo campo, que deveria ter a data da devolução, indicava que eu deveria ler uma observação atrás do cartão de empréstimo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Virei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Código de procedimento 163: Único exemplar retirado pelo próprio autor. Motivo 177: Ordem cumprida para fins de proibição de veiculação de conteúdo. Retirada pública de circulação da obra” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esperar pelo surpreendente é como chegar numa bifurcação. Você espera que o caminho escolhido te leve ao delírio, ao prazer, mas em nenhum lugar, nem mesmo nas letras pequenas no documento diz que a espera é seguida de prazer. O máximo que se pode ter é sorte. Do mais, que os desesperados se contentem com a decepção.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A expectativa é o desejo dos fracos. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-3285224328403299521?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/3285224328403299521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=3285224328403299521&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3285224328403299521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3285224328403299521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/09/objeto-de-desejo.html' title='Objeto de Desejo'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SNhyyyPYBaI/AAAAAAAAADE/vk9skg_oD98/s72-c/reflex%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-3854345336500265573</id><published>2008-09-06T16:29:00.005-03:00</published><updated>2008-09-06T16:45:28.684-03:00</updated><title type='text'>Carta a Alberto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SMLaTSjToFI/AAAAAAAAAC8/zLcnMl6MeFE/s1600-h/forest1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242992941144973394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SMLaTSjToFI/AAAAAAAAAC8/zLcnMl6MeFE/s320/forest1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; "&lt;em&gt;Outono", por Sabrina Sanfelice&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo V&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Carta a Alberto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Era tarde da noite quando Ulisses resolveu escrever ao seu melhor amigo. Alberto era um homem sério, que usava bigode desde quando entrou na faculdade. A única coisa que o desmontava era falar de Maria Alice, a mulher com a qual sonhou ter filhos e formar uma família e que, no calar da madrugada, sumiu como uma ladra libertina levando com ela tudo o que Alberto tinha conseguido acumular durante esses anos todos: uma imagem, reputação e esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na gaveta da cômoda ele encontrou seu bloco de papéis especiais que usava para escrever com sua caneta tinteiro, herança do avô Edmundo, que lhe ensinou as primeiras letras. No armário, recolheu o resto das coisas necessárias para deixar a carta pronta para ser postada no dia seguinte, logo cedo. Sentado em sua escrivaninha preferida, fixou os olhos no papel e começou a pensar em como deveria contar os detalhes que estavam atormentando sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses era muito excêntrico e detalhista para simplesmente começar uma carta com a data do dia ou qualquer saudação estúpida. Ele sabia que se fizesse isso, iria provocar tanto medo em Alberto que o coitado sairia de outro estado para vir correndo ver o que estava acontecendo. Então, como falar de paranóias sem sobressaltar a própria normalidade humana? Incrível como as pessoas pensam que as anomalias estão escondidas atrás de rostos estranhos, misteriosos ou deformados enquanto a loucura, em sua esperteza, usa umas das máscaras mais conhecidas de todos nós: o habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Molhou a caneta e levou-a devagar até o bloco. O tempo para que sua mente pensasse era o mesmo no qual a tinta não poderia pingar e manchar o papel. Ulisses sabia que esse vácuo entre o pensamento e o movimento da caneta era exatamente onde residiam seus mais misteriosos insights. No entanto, como se o tempo e o espaço já não fizessem mais diferença, os pensamentos se alinharam e as palavras começaram a ficar nítidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Outono. Mês das folhas secas. Ainda está quente, mas minha mente repousa num dia frio.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caro Amigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito difícil olhar nos rostos que ficaram escondidos em nossa mente. Talvez pelo simples fato desse olhar estar ligado a uma imagem projetada no fundo daquilo que um dia conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão mais fácil cantar e passar a vida sonhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que já não durmo mais. E quando durmo, meus sonhos estão cercados por vultos que me apontam placas que indicam todos os lugares ao mesmo tempo. Como se no meio de um abraço e lembranças de odores mágicos, chegasse uma forte tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente nasce morto quando fingimos não viver mais. A indiferença segura pelas mãos lembranças de um dia nublado. As folhas secas se amontoam nos pés, mas preferimos olhar a luz da Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sigo frio até o amanhã tempestuoso, sobrevivendo ao que resta, angustiado. O vento gélido da inspiração e a ardência vermelha dos meus olhos demonstram a falta de controle e a sombra de alguém que agarra com os dentes cada detalhe que fazem do todo uma única desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sobrevivo ao medo, que sobe e desce, desanimado. Você, de carne e osso e uma espada. Com os olhos fundos de buraco, a boca cheia de sapos e a matéria crua, navalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro, uma simples luz que pisca de um lado para o outro. Um entra e sai que atordoa. Os olhos se fecham a cabeça se abaixa. Labirinto de prazeres, egoísmos e necessidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa ponta um desejo errado e na outra o mesmo descontrole. Na saída um letreiro vermelho pisca forte anunciando que ali está o final. E quando os corpos chegarem amortecidos, retalhados, estará escrito: tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estarão os filósofos, que já não andam mais pelas ruas de Atenas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem és tu?&lt;br /&gt;Que não me trazes explicação?&lt;br /&gt;Não mudas o que sinto, mas afetas o que tenho? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Apaga-se a luz e tudo se torna silencioso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alma está calma e ao mesmo tempo eufórica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Escuta, escuta, escuta.&lt;br /&gt;E percebo que não são os sentidos que determinam.&lt;br /&gt;É aquilo que não vejo.&lt;br /&gt;Aquilo que preciso, somente um pouco...&lt;br /&gt;...caro amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não existe limite para a busca daquilo que precisamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-3854345336500265573?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/3854345336500265573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=3854345336500265573&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3854345336500265573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3854345336500265573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/09/carta-alberto.html' title='Carta a Alberto'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SMLaTSjToFI/AAAAAAAAAC8/zLcnMl6MeFE/s72-c/forest1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-3897520236261737055</id><published>2008-08-23T15:52:00.004-03:00</published><updated>2008-08-24T23:29:13.027-03:00</updated><title type='text'>A sopa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SLBc9UFgX9I/AAAAAAAAACc/AJXf6PtWyfY/s1600-h/table.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237788575065464786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SLBc9UFgX9I/AAAAAAAAACc/AJXf6PtWyfY/s320/table.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;"Reações", por Sabrina Sanfelice&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Capítulo IV&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A sopa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Já se passavam das sete da noite. A sopa de ervilha borbulhava na panela enquanto Ulisses terminava de ler o jornal. Em uma das crônicas do dia o jornalista apontava um incidente em uma cafeteria da cidade, alguma coisa sobre um roubo. Ele irremediavelmente ri. Ulisses quase sempre ri por um canto só da boca quando está sozinho. Fecha o jornal e vai ver a sopa, apaga o fogo, prepara a mesa e serve a sopa no prato fundo que recebeu de herança se sua tia-avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senta calmamente no mesmo canto da mesa, de costas para a porta da cozinha. A sopa está quente e Ulisses revira e mistura o caldo para suportá-lo na boca. O cheiro de especiarias o faz lembrar o dia em que conheceu Cláudia. Na verdade, o pico olfativo o faz sentir repulsa e adoração ao mesmo tempo. É tão parecido com o sentimento que cultiva por ela, algo como “o perfeito que enjoa”, como cheiro de jasmim, especiarias e o perfume caro da secretária do dentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudia estava sentada numa mesa perto da calçada tomando chá indiano. A bolsa pendurada na cadeira mostrava algumas folhas soltas com partituras musicais. A blusa cor de lavanda, rendada nas pontas, meias-finas e sapatos fechados. Ulisses queria mesmo era ver seus dedos, mas ela estava de costas, os cabelos parcialmente presos, castanhos. Ele abanou com as mãos tentando espantar abelhas invisíveis. Levantou, fez-se de irritado e o garçom, gentilmente, veio ao seu encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra mesa Senhor?&lt;br /&gt;Ulisses pensava que ele teria percebido sua intenção. Então, tentou intimidá-lo com um monte de argumentos como sua alergia por picadas de abelha e seu único momento de descanso merecido. Acabou por sentar-se numa mesa onde via seu perfil. Rosto suave, pálido, nariz fino e, finalmente, as mãos. Ela segurava a xícara de porcelana e os dedos longos adornavam a superfície do pires sobre a mesa. Quando descansava a xícara, ficava passando a ponta dos dedos na borda como se quisesse produzir um som daqueles feitos por taças de cristal puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava longe, pensativa. De vez em quando, os dedos sobre o pires imitavam posições nas teclas de um piano e ao mesmo tempo os pés, embaixo da mesa, pisavam em pedais invisíveis. Ela era como um livro de contos de fada, daqueles que quando alguém nos lê quando crianças, ficamos imaginando o que estará fazendo agora o personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou para o lado. Olhos cor de mel, numa expressão quase etérea. Fez sinal para o garçom e mostrou a xícara. Voltou os olhos para a mesa e sorriu. Ulisses retribuiu e perguntou as horas. Cláudia mostrou a cadeira que estava ao lado e sorriu de novo. Em passos lentos, quase atemporais, infinitos... ele andou até ela. Seus olhos achavam os dela e nadavam entre seus longos cílios postiços. O cheiro de canela ficava mais forte a cada segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses fecha os olhos para lembrar melhor. Respira fundo e não sente nada. Abre os olhos e vê o prato de sopa na mesa. Vem devagar, trazendo a colher até a boca e sente: está fria. Muito fria, assim como sua memória através dos anos. A convivência é como a sopa que saiu da panela. Quanto mais tempo esperamos alienados, mais rápido esfriamos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-3897520236261737055?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/3897520236261737055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=3897520236261737055&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3897520236261737055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3897520236261737055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/08/sopa.html' title='A sopa'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SLBc9UFgX9I/AAAAAAAAACc/AJXf6PtWyfY/s72-c/table.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-8442048771786291341</id><published>2008-07-31T21:47:00.005-03:00</published><updated>2008-07-31T22:06:02.061-03:00</updated><title type='text'>O despertar</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SJJg4I8cXfI/AAAAAAAAACU/lhY7M6yQXDg/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229348634920508914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SJJg4I8cXfI/AAAAAAAAACU/lhY7M6yQXDg/s320/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Foto: Sabrina Sanfelice (auto-retrato com os pés)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo III&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O despertar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Me sentia um pouco sonolento quando escutava músicas clássicas forçado. Era como se alguém me embalasse ao som de canções de ninar. Mas eu estava lá para vê-la mais uma vez. Nunca mais com a mesma intensidade de antes, quando eu sentia a emoção de cada troca de compasso, mas eu não poderia ser tão insensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um terno apertado e meus óculos de leitura, sentei na primeira fila esperando que ela me olhasse nos olhos antes de começar. Era só esperar esse momento para que eu pudesse fechar meus salões internos e tentar raciocinar meus dias conturbados, minha ânsia de voltar a tocar aquele livro, o cheiro forte dos meus instintos de homem se manifestando no mesmo instante em que eu precisava voltar-me a introspecção absoluta. Que caos seria esse que me consumia por dentro e ao mesmo tempo me deixava leve como nos tempos de criança, quando eu não via a hora do próximo dia chegar e poder rever os rostos de meus primos distantes, que vinham só de vez em quando, mas que estavam bem ali, dormindo ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me mirou com aquele olhar doce e suave, entrelaçando os dedos em sinal de que começaria a qualquer instante. Fitei seus olhos com um sorriso de aprovação que naturalmente dizia “você consegue!” e abaixei levemente a cabeça para que ela começasse a tocar sem demora. Essa espera, esse intervalo entre a minha liberdade de pensamento e a expectativa de Cláudia parecia o inferno, um lugar em que minha mente repousa sob o sentimento mais estranho de agonia pedindo encarecidamente para ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som da primeira nota musical deveria parecer um gozo, mas se tornou tortura quando comecei a ficar enjoado a ponto de precisar sair correndo para ir ao banheiro vomitar. Era como se a música me fizesse prisioneiro dessa agonia inquietante de não conseguir agir. Lavei o rosto várias vezes me olhando no espelho e morrendo de remorso, vergonha, desespero puro. Mas o momento era oportuno para uma fuga justificada, uma doença inventada as pressas para correr atrás de meu sonho lúcido. Minha mente alternava entre voltar a platéia e não me encher de arrependimento e correr sem parar, sem rumo, até cansar e conseguir ter idéia da minha primeira busca. Não podia mais adiar e ela não pararia de tocar, nem hoje, nem nunca, a música que já não embala mais meu coração, a música que me atira para longe, que me mata aos poucos, de tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirei o paletó devagar enquanto minha pulsação aumentava aos poucos nas veias, quase igual cólica intestinal nervosa. Desatei o nó da gravata e espatifei os cabelos com as mãos. Pensei em começar a correr dali mesmo, mas tive a súbita vontade de tomar qualquer coisa forte antes, um conhaque, uísque ou qualquer coisa que me fizesse sentir o sangue esquentar. Passei no bar com cara de quem já estava bêbado e pedi com toda coragem o que tinha de mais forte. Nunca tinha feito algo parecido. Virei a bebida sem perguntar o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais esperar por qualquer coisa que pudesse me barrar, saí correndo num impulso rápido, passando por todas as escadarias do Teatro, como se eu pudesse flutuar pelo tempo, sem que meus pés estivessem tocando o chão. Era como se cada vez mais as solas de meus sapatos estivessem pisando mais alto nos ares daquele espaço, ao mesmo tempo em que a velocidade diminuia para que a gravidade pudesse me fazer subir, subir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei saindo pelo arco da porta da frente, quase nú, já há uns três metros do chão, só de meias, cuecas e a gravata que insistia em cobrir parte de meus olhos. Do alto apreciava a vista da praça central que parecia um cartão postal de banca de jornal. Minha respiração ia e vinha, calma e constante, como se eu estivesse em sono profundo. Pensei bem forte na paisagem da minha terra natal, um lugar onde eu gostaria de passar voando, onde admirava os balões de São João que subiam alto e lá de cima poderiam contemplar os montes que eu demorava horas para subir a pé. Uma sensação de clareza absurda envolveu meu ser, como muitos descrevem a passagem da morte para a vida etérea, rodopiando no ar como fogos de artifícios que sobem e descem, acendem num auge e apagam lentamente deixando saudade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei suspenso por algumas horas, quase em estado catatônico, passei entre várias fases da minha vida, dos pés de limão a primeira transa, dos olhos de minha mãe lacrimejando em frente ao televisor antes de ir para cama ao cheiro de chuva e tijolo velho de construção quando rabisca o chão num dia de sol. Eu estava pleno, inteiro, dividido em fractais que se juntam aos poucos formando um desenho plano e chapado do meu próprio rosto estampado numa folha de papel, desenhado por uma criança canhota e giz de cera. Eu era plasmático, eu estava feliz pela primeira vez em minha vida, como nunca tinha estado em nenhuma situação sóbria e material. Eu era aquilo que alguns chamam de espírito, outros de alma, essência, não-material, etéreo, energia, luz, nada. Eu era um tolo e nada melhor do que ser um tolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui agarrado pelo braço com tanta força que meus olhos saltaram pela face estreita.&lt;br /&gt;Acorda Ulisses! Pelo amor de Deus, acorda! Você desmaiou? O que houve? Meu Deus, fale alguma coisa! Pode me ouvir? Ele está convulsionando Pires, tenho certeza!&lt;br /&gt;Calma minha Lady. Você deve ter tido um pesadelo.&lt;br /&gt;Pesadelo? Ulisses, você está fora de si. Por favor, tente se acalmar, já vamos chamar uma ambulância.&lt;br /&gt;Não há necessidade. Posso me levantar sozinho e ir embora caminhando de braços dados com você.&lt;br /&gt;Que cheiro é esse? Você andou bebendo? Como? Porque você não saiu da cadeira e no caminho estávamos juntos. O que está acontecendo aqui?&lt;br /&gt;Calma Cláudia. Podemos conversar em casa?&lt;br /&gt;Se você diz que está se sentindo bem, mas eu dirijo.&lt;br /&gt;Tudo bem. Só me leve para casa. Preciso voltar a dormir, urgente minha Lady, urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-8442048771786291341?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/8442048771786291341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=8442048771786291341&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8442048771786291341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/8442048771786291341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/07/o-despertar.html' title='O despertar'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SJJg4I8cXfI/AAAAAAAAACU/lhY7M6yQXDg/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-3867784875261901891</id><published>2008-07-14T22:45:00.007-03:00</published><updated>2008-07-14T23:25:39.482-03:00</updated><title type='text'>Vestido vermelho</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SHwI1ahwlNI/AAAAAAAAACE/tO8fGj1mOl8/s1600-h/red+dress_.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223059381589939410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SHwI1ahwlNI/AAAAAAAAACE/tO8fGj1mOl8/s320/red+dress_.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;color:#666666;"&gt;foto de Howard Schatz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Capítulo II &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vestido vermelho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sonhei com você hoje.&lt;br /&gt;Mais um daqueles seus sonhos?&lt;br /&gt;Não. Acho que esse foi diferente. Me deixou intrigado.&lt;br /&gt;Esquece Ulisses. Vamos nos concentrar um pouco. Você precisa me ajudar a ficar calma. Acho que não quero saber de sonhos agora.&lt;br /&gt;Cláudia, você acredita que os sonhos sejam controlados pela nossa própria mente ou por algo externo?&lt;br /&gt;Ulisses! Não adianta! Você não me escuta mesmo! Tchau.&lt;br /&gt;Cláudia! Cláudia! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu adorasse a companhia de Cláudia, naquele momento nada seria tão interessante do que pensar a respeito do meu último sonho. Será que seu eu fosse subitamente até a livraria conseguiria segurar na mão aquele livro? Claro, eu já tinha visto alguma coisa na televisão sobre projeção astral, coisas sobre espiritismo também afirmavam que podemos sair livres a cada noite e voltar para casa sãos e salvos. Então, se por um minuto eu aceitasse essas idéias, poderia ir até a Livraria e, de olhos fechados, colocar a ponta dos dedos na prateleira, sentindo o toque áspero do papel pardo. Era uma sensação estranha desafiar todos os meus conceitos pré-formados sobre a vida, a morte, a ciência e meu ateísmo. Era como se eu pudesse criar formas, máscaras e personagens que despertassem em mim uma idéia irreal, surreal sobre tudo aquilo que normalmente eu acharia besteira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentei desviar o pensamento com outro, alterando a imagem do livro pela preocupação com o concerto de Cláudia. Ela era sempre tão linda quando sentava naquele piano. Parecia outra pessoa, mais forte, menos séria e ranzinza. O movimento do corpo sobre o banquinho pequeno lembrava uma dançarina frenética, daquelas com roupas coloridas, que encarnam um espírito e dão um show. Ao compará-la com essa idéia, senti-me tímido, como se alguém pudesse ler meus pensamentos, minhas intimidades, saber, por um momento, o que eu desejava, quais eram meus erotismos. Cláudia ficaria brava se soubesse que alguém andou lendo minha mente, justamente nesses momentos em que eu a imaginava num banquinho, erotizada, sendo aplaudida por milhares de outros homens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desci a rua com intenção de comer alguma coisa na próxima padaria, mas fui acometido por um cheiro excêntrico, totalmente feminino, atravessando a rua. Uma mulher alta, magra, com cabelos vermelhos, passou por mim como um vento forte em meio a uma tempestade. Todos os seus odores, cores e sensações me arrastaram. Eu a vi em câmera lenta, o balanço do vestido vermelho, o barulho exato do salto do sapato com fivelas douradas e a correntinha de ouro caída para trás da nuca, que aparecia extasiada quando ela jogou os cabelos e sorriu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! Quem era essa mulher? Eu a conhecia de algum lugar. E esse perfume? Parece o perfume que escolheram para aquelas mulheres que acompanham o diabo, no meio do inferno, de lingeries e tridentes, com uma sedução absurda. Naquele momento fui estranhamente submetido a dizer alguma coisa, mesmo sabendo que eu, em meu estado normal, jamais diria qualquer sílaba. Só que o que eu disse foi pior do que eu teria pensado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tire-me daqui! – eu disse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falou comigo senhor?&lt;br /&gt;Oi. Desculpe. Acho que pensei alto. Nem sei o que estou falando. Por favor, me desculpe.&lt;br /&gt;Tudo bem. Também ando distraída pelas ruas, às vezes chego a me assustar quando ouço meu nome.&lt;br /&gt;É mesmo? Então somos dois distraídos.&lt;br /&gt;Em minha mente eu me sentia ridículo. Onde teria achado esse vocabulário idiota. Que vergonha. Espere só um minuto... que estranho... eu...&lt;br /&gt;Moça!!&lt;br /&gt;Me chamou agora senhor?&lt;br /&gt;Você disse que se assusta quando alguém chama seu nome?&lt;br /&gt;Isso mesmo. Por quê?&lt;br /&gt;Porque eu não disse seu nome.&lt;br /&gt;Ela sorriu. Um sorriso tão lindo, tão infame, certeiro, que eu comecei a ficar estranhamente excitado.&lt;br /&gt;Claro que disse. Talvez não se lembre de mim, mas meu nome está gravado na sua cabeça. Como poderia esquecer o nome de alguém como eu?&lt;br /&gt;Desculpe de novo. Acho que estou louco. Nós nos conhecemos?&lt;br /&gt;E não?&lt;br /&gt;É que eu não me lembro.&lt;br /&gt;Não se lembra? Você se lembra sim... Faça um esforço. Olhe no fundo da sua mente. Eu estava lá, quando você entrou pela porta.&lt;br /&gt;Porta? Que porta? De que lugar? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora era tarde demais. Eu já estava zonzo, quase inerte e as palavras da moça do vestido vermelho já ecoavam na minha mente como o fundo de um abismo. Minhas mãos ficaram dormentes, meus cabelos eriçados, as pupilas embaçadas demais para ver qualquer coisa, a não serem os olhos dela, pequeninas pupilas negras, que me encaravam de perto, quase imóveis, formando um buraco por onde eu teria que passar. Entrei pelos olhos dela, com os meus fechados, aterrorizado e, aos poucos, fui conseguindo respirar lá dentro. Tive uma imensa vontade de chorar, de medo, mas o que fazer? Eu estava imóvel e tinha pânico de abrir os olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ulisses! Falou uma voz calma e suave.&lt;br /&gt;É você moça bonita? – falei mais aliviado.&lt;br /&gt;Moça bonita? Você nunca me chamou assim...&lt;br /&gt;Desculpe a falta de respeito. É que estou meio confuso. Quando nos encontrarmos de novo, prometo ser mais educado.&lt;br /&gt;Ulisses! Que papo mais esquisito. Por um acaso você estava sonhando com outra mulher?&lt;br /&gt;Abri meus olhos devagar e vi Cláudia, com seu pijama verde água, sentada ao meu lado da cama.&lt;br /&gt;Ah não. De novo não! – gritei irritado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não estava dormindo. Como posso acordar ao seu lado, sem ao menos saber como dormi aqui. Eu estou cansado disso tudo. É a segunda vez no mesmo dia. Eu preciso sair, ir ao médico. Estou mal Cláudia!&lt;br /&gt;Querido, foi só um sonho, esqueça. Vamos ficar um pouco mais juntos na cama.&lt;br /&gt;Não! Eu não posso ficar sem entender o que está acontecendo comigo. Que dia é hoje Cláudia?&lt;br /&gt;Dia do seu aniversário! Parabéns meu amor! Por isso eu disse para esquecer esses seus sonhos estranhos, pelo menos por hoje. Vamos comemorar?&lt;br /&gt;O que? É meu aniversário hoje? Tem certeza?&lt;br /&gt;Claro Ulisses. Não sou como você, jamais esqueceria o aniversário de alguém que amo.&lt;br /&gt;Não pode ser Claudia. Você não lembra? Estávamos juntos, falando do seu concerto e você saiu irritada.&lt;br /&gt;Isso acontece tantas vezes Ulisses. Todos nós sonhamos com as coisas comuns, da nossa rotina, nossos medos, vontades. Me admira você acordar chamando outra mulher de moça bonita. O que você anda desejando?&lt;br /&gt;Não fale besteiras Cláudia. Eu nem sei direito o que eu estava sonhando. E não estou desejando nada, muito menos sonhando com algo que tenho certeza que aconteceu na vida real.&lt;br /&gt;Ok. Tudo bem. Então, mesmo que aconteceu, vamos esquecer por um minuto. Vamos nos concentrar no seu aniversário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que horas são?&lt;br /&gt;Sete horas.&lt;br /&gt;Da manhã?&lt;br /&gt;Isso. Por quê? Você quer dormir mais um pouco. Posso ir para o ensaio sem você.&lt;br /&gt;Não. Não é isso. Estou tentando raciocinar.&lt;br /&gt;Raciocinar sobre horários?&lt;br /&gt;Não Cláudia. Esquece, por favor. Estou irritado.&lt;br /&gt;Não fique. Desculpe. Nem sei mais o que dizer. Você está bravo com tudo, qualquer coisa que eu fale, você ficará irritado.&lt;br /&gt;Não Clau. Desculpe. Não quis ser rude com você. Vamos combinar então e esquecer minhas maluquices por um momento.&lt;br /&gt;Então tá bom. Você vai tomar café comigo no Gomes? Depois vamos ao ensaio, se você quiser.&lt;br /&gt;Hummmm... tudo bem. Mas só vou se antes você me der um presente de aniversário.&lt;br /&gt;Presente? Como assim?&lt;br /&gt;Fique comigo um pouco mais nessa cama. Não sei porque, mas acordei mais romântico hoje.&lt;br /&gt;Jura? Faz tempo que não ouvia isso.&lt;br /&gt;Sei lá, acho que foi seu perfume.&lt;br /&gt;Você que nunca gostou de perfumes...&lt;br /&gt;Feromônios...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-3867784875261901891?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/3867784875261901891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=3867784875261901891&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3867784875261901891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/3867784875261901891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/07/foto-de-howard-schatz-captulo-ii.html' title='Vestido vermelho'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SHwI1ahwlNI/AAAAAAAAACE/tO8fGj1mOl8/s72-c/red+dress_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-130817661780695907</id><published>2008-07-02T00:42:00.004-03:00</published><updated>2008-07-02T00:54:55.231-03:00</updated><title type='text'>Atrás da porta nunca tem nada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr7mNAZZCI/AAAAAAAAAB8/hgRhR0kAyhk/s1600-h/clock.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218259752007066658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr7mNAZZCI/AAAAAAAAAB8/hgRhR0kAyhk/s320/clock.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Capítulo I&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O relógio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Sempre tento acordar antes das 10 da manhã. O despertador toca, eu me esforço para ver os números com as pupilas ainda embaçadas. Essa, definitivamente, não foi uma manhã como as outras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Durmo mais um pouco. Acordo de novo como se tivesse dormido só mais 5 minutos. Não consigo ver as horas e aperto o botão da luz do despertador: 6 da manhã. Não estava cansado, só um pouco enjoado. Olho de novo para verificar e dessa vez observei também a data: 29 de junho de 2009, Quarta. Olho mais uma vez. Exatamente 29 anos hoje. Tinha esquecido meu próprio aniversário. Alguns pensamentos invadiram minha mente e perdi completamente o sono, fazia muito tempo que não acordava tão cedo assim. Talvez fosse coincidência isso acontecer exatamente nesse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha marcado de encontrar Claúdia para vê-la ensaiar para o próximo concerto, mas isso só seria às 13 horas. O que fazer nessa manhã tão esquecida pelo sono dos últimos anos? Em casa não poderia ficar. Só de imaginar as pessoas ligando para dizer “feliz aniversário” me dava náuseas. Precisava arrumar um programa diferente, nada que incomodasse muito minha rotina. Talvez um Café, livros e bolinhos de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua 29 de Março guardava um velho segredo: um Sebo falido que se sustentava de pivetes que ocupavam a noite jogando numa lan house do fundo da casa. Nesse horário estavam todos os computadores vazios, a cafeteria acabava de ser aberta e os livros do fundo continuavam empoeirados e sem receber visitas há anos. Sentei bem lá no canto, peguei o café no balcão para não ganhar cara feia de nenhuma garçonete por causa do horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxei um livro com a mão esquerda, assim, na sorte. A capa, coberta por papel pardo escondia o título. No momento tive um estranho pensamento de que o dono da casa não tinha muito interesse por leitores naquele ambiente. Quem colocaria um livro sem mostrar o título na prateleira? Além de dificultar a escolha, era uma atitude de alguém totalmente sem conhecimento a respeito de leitura, livros e afins. Mesmo assim, resolvi abrir e olhar para saber o que tinha escolhido. Dentro, as folhas velhas e amareladas, apresentavam a figura de uma porta fechada. Fiquei alguns minutos olhando a figura, tentando relacionar com o que viria a ler depois. Na próxima folha a figura mudava um pouco. A porta estava entreaberta. Que estranho um livro apresentar tudo isso antes de ao menos dizer o título. Estava curioso e irritado com essa idéia. Para mim, parecia uma tentativa injusta de atrair o leitor sem ao menos saber se o título o interessava. Na próxima folha, uma página preta, inteira, sem absolutamente nada. Eu não acreditava que esse livro tinha me feito de idiota. Senti uma imensa vontade de desafiar o escritor naquele momento e devolver o livro para aquela prateleira imunda e negar-lhe o direito de me provocar daquela maneira. Como alguém poderia me irritar naquele horário, no dia do meu aniversário? Fechei o livro e voltei minha atenção para o café, quase frio. Eu simplesmente odiava quando isso acontecia. Era como se não fosse só o livro a me desafiar naquele momento. O café estava frio e eu tinha conseguido acordar às 6 da manhã justo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei de Cláudia e de suas mãos quando tocam piano. Ela com certeza estaria rindo da minha mania de perseguição. Lá fora, as pessoas já começavam a passar pela frente do café para entrarem sem atraso no trabalho. A garoa da madrugada tinha se acentuado um pouco e junto com ela o típico frio da manhã. Na parede da Cafeteria alguns relógios mostravam diferentes horários dos vários países. São Paulo marcava quase 10 horas da manhã. Como alguém conseguia ser tão inútil para não trocar nem mesmo o horário do relógio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do nada, um som alto e estridente tomou conta do local. Era como se a cafeteria estivesse soando um alarme de incêndio. Era só o que me faltava. Olhei rápido para o livro em cima da mesa e senti uma imensa vontade de levá-lo embora no calor do momento. Já estava tudo tão irritante aquela manhã, então, nesse caso não seria uma atitude tão insensata. No balcão não havia mais ninguém para me ver fazer isso. Peguei o livro e saí rapidamente para a frente da Cafeteria. Estava com o coração um pouco acelerado pela situação. Lá fora a chuva já estava um pouco mais forte. Abri meu casaco e coloquei o livro para não molhar. Coloquei os pés na rua, senti que eles estavam molhados. No mínimo uma poça d’água indesejada. Olho para o chão. Sinto meu corpo zonzo, meio inclinado. O barulho continua alto. Estou muito enjoado, fecho os olhos. Abro os olhos bem devagar. Minhas pupilas estão embaçadas. Vejo um relógio digital que marca 10 horas da manhã. Esfrego os olhos: 10 horas da manhã, 29 de junho de 2009, quarta-feira, meu aniversário de 29 anos. Meus pés, sem meias, estão gelados e descobertos. Mais um sonho. Estranho, muito estranho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-130817661780695907?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/130817661780695907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=130817661780695907&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/130817661780695907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/130817661780695907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/07/atrs-da-porta-nunca-tem-nada.html' title='Atrás da porta nunca tem nada'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr7mNAZZCI/AAAAAAAAAB8/hgRhR0kAyhk/s72-c/clock.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5500418491395856797.post-2330324575317949332</id><published>2008-07-02T00:10:00.003-03:00</published><updated>2008-07-02T00:42:22.492-03:00</updated><title type='text'>“(...) um texto só vale se tiver circulação sangüínea”</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr4H-DvqrI/AAAAAAAAABs/D1ogDSYChP0/s1600-h/sometimes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218255934063618738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr4H-DvqrI/AAAAAAAAABs/D1ogDSYChP0/s400/sometimes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dear Captain,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Testando: 1, 2, 3... Todo começo é tão fascinante que chega a nos cegar. A ilusão se faz presente em todas as paixões. Mas que diferença faz isso agora se estou justamente enchendo meu ego até a boca pela intensidade inicial?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O que não percebemos é que entre inícios e fins, entre histórias tristes e felizes, estamos criando a lembrança. E isso é o que mais importa para mim nesse momento. Registrar fragmentos de devaneios que atravessam minha mente e que ingenuamente nascem mortos para alojarem-se no "paraíso das memórias".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Portanto, dou boas-vindas a esse novo espaço que resolvi destinar a mim mesma, com extensão a todos aqueles que por aqui passarem, com uma frase de Lygia Fagundes Telles: "Memória é o tempo invadido pela imaginação".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Bienvenue Imagination!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5500418491395856797-2330324575317949332?l=goodnightcaptain.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/feeds/2330324575317949332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5500418491395856797&amp;postID=2330324575317949332&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/2330324575317949332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5500418491395856797/posts/default/2330324575317949332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://goodnightcaptain.blogspot.com/2008/07/um-texto-s-vale-se-tiver-circulao.html' title='“(...) um texto só vale se tiver circulação sangüínea”'/><author><name>Sabrina Sanfelice</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06028728891240603712</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_KzuDhttoQo8/SWFLmUqdxkI/AAAAAAAAAFU/xABaLUzE0bI/S220/sabrina1jpg.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_KzuDhttoQo8/SGr4H-DvqrI/AAAAAAAAABs/D1ogDSYChP0/s72-c/sometimes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
